ENERGIA SOLAR CRESCE 407% EM UM ANO NO BRASIL IMPULSIONADA POR PAINÉIS EM RESIDÊNCIAS

15 de maio de 2018

Globalmente, o investimento em energia solar bateu recorde no ano passado: 18% a mais do que no ano anterior, e recebeu mais investimentos do que outro tipo de fonte energética, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Foram mais de US$ 160,8 bilhões de recursos, segundo o relatório da organização, publicado em abril deste ano.

O Brasil é um dos países que têm uma incidência solar de 5,4 quilowatt-hora/metro quadrado – mais do que Estados Unidos, China e Alemanha, por exemplo. No entanto, em termos de capacidade instalada de geração fotovoltaica, o Brasil tem apenas um gigawatts. A China, por exemplo, tem 130 gigawatts. No entanto, o cenário parece estar se revertendo.
Em 2016, o número de microgeradores de energia solar cresceu 407% em relação ao ano anterior, segundo dados da Aneel. 80% da expansão aconteceu em residências. Para 2024, o órgão estipula que serão 886,7 mil unidades consumidoras que receberão créditos dessa energia, totalizando uma potência instalada de aproximadamente 3,2 GW.

O crescimento é justificado principalmente pelo barateamento dos painéis. Não por acaso, diversas companhias do setor estão investindo na área. Um desses exemplos é a distribuidora Celesc. Com o Projeto Bônus Fotovoltaico, a empresa contemplou 1250 residências no estado de Santa Catarina com um subsídio parcial para a instalação de sistemas fotovoltaicos.

A ideia do projeto, como explica Marco Aurélio Gianesini, gerente do Departamento de Engenharia e Planejamento do Sistema Elétrico, era reduzir o consumo de energia elétrica dos consumidores, ampliar a utilização de energia renovável e criar expertise em um novo mercado que está se fortalecendo.

“Para a distribuidora, precisávamos aprender um pouco da tecnologia, do ponto de vista operacional, dialoga com nossos valores de sustentabilidade e também dá oportunidade de criação de novos negócios. Esse mercado vai crescer muito nos próximos 10 e 15 anos, e temos interesse em conhecer a fundo”, relata.

Com o subsídio, os preços do sistema, que geralmente giram em torno de R$ 20 mil, caíram para R$ 6,68 mil para cada consumidor. No total, o investimento chegou a R$ 17 milhões, sendo R$ 11,3 milhões provenientes do Programa de Eficiência Energética da ANEEL/Celesc. As instalações começaram em abril de 2017 e foram finalizadas oito meses depois, estando constantemente monitoradas pela Celesc e pela empresa contratada para o projeto, a Engie.

“Quando fazemos um cálculo rápido de viabilidade para o consumidor que pagou esse sistema, olhando a quantia de energia que vai gerar de crédito [na conta de luz], o que significa a redução da fatura, o investimento é compensado em três anos. E o equipamento tem vida útil de 25 anos: ou seja, por 22 anos, eles apenas usufrui dos benefícios”, exemplifica.

Algo que surpreendeu o gerente foi o engajamento e interesse das pessoas em instalar os painéis. Inicialmente, o plano era subsidiar mil sistemas, no entanto, a empresa teve que fechar as inscrições em cinco dias, porque mais de 12 mil pessoas já tinham pedido o auxílio. Em Florianópolis, por exemplo, os 200 equipamentos disponíveis se esgotaram em apenas sete minutos. O que demonstra, para Gianesini, o sucesso do projeto e da campanha. “O legal é que várias distribuidoras gostaram do modelo que aplicamos e estão replicando isso”, comemora.

Sol gerando energia em moradias populares

Dentro do Comitê de Inovação e Sustentabilidade da CDHU — Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo — também surgiu a discussão de usar o sol como fonte energética.

A grande vantagem do projeto é justamente o impacto na conta de energia dos mutuários, como relata o superintendente de Orçamento, Programação e Controle da organização, Silvio Vasconcellos.

A ideia é também implementar os sistemas nas Unidades Habitacionais entregues entre 2011 e 2016 (51 mil unidades) e também nos empreendimentos novos a serem construídos pela CDHU. Vasconcellos lembra que o projeto teve um impacto muito além da questão energética: mexeu também com os processos de produção e construção da empresa, fazendo com que ela busque processos mais sustentáveis, com menos uso de água e geração de entulho, por exemplo.

“Durante a construção dos próximos empreendimentos, esses equipamentos solares serão instaladas nos canteiros de obra, produzindo energia para a construção. Ou seja, não mexe só no resultado final que é a casa, mexe com o processo de produção. Estou fazendo uma construção mais sustentável também”, exemplifica.

O executivo acredita que a instalação de painéis em construções de classe média é uma “questão de tempo” por conta dos benefícios, ainda mais com a perspectiva de queda de preço. Além disso, com a popularização desses novos sistemas, novos empregos serão gerados, cada vez mais especializados em uma energia limpa e renovável. A iniciativa da Celesc e da CDHU receberam o Prêmio Eco de Sustentabilidade da Amcham no ano passado.

Fonte: Estadão
Postado originalmente em 19 de abril de 2018

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